25 de Mai, 2026
Assoreamento ameaça águas cristalinas do Rio da Prata no Pantanal sul-mato-grossense
21 de Mai, 2026

O avanço do assoreamento e da degradação ambiental no encontro entre os rios Verde e da Prata, em Jardim, voltou a acender o alerta de pesquisadores e ambientalistas em Mato Grosso do Sul. Imagens registradas durante monitoramento ambiental mostram o contraste entre as águas cristalinas do Rio da Prata e a coloração barrenta trazida pelo Rio Verde, cenário que evidencia o agravamento dos processos erosivos e o impacto direto sobre um dos principais cartões-postais ambientais do Estado.

O problema vem sendo acompanhado há cerca de uma década pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), que monitora a situação da bacia hidrográfica da região. Em entrevista exclusiva ao MS de Norte a Sul, o biólogo do IHP, Sérgio Barreto, afirmou que a situação tem se agravado ao longo dos anos e pode atingir um ponto irreversível caso medidas efetivas não sejam adotadas.

“Esse é um problema que a gente já vem observando há algum tempo nesse monitoramento que a gente realiza no Prata, já tem aproximadamente 10 anos e é um problema já identificado. Infelizmente, a gente não vem vendo um avanço em buscas de soluções”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o Rio Verde apresenta problemas estruturais em praticamente toda a sua extensão, principalmente relacionados à ausência de mata ciliar, erosão do solo e uso inadequado das áreas no entorno do curso d’água. Esses fatores contribuem diretamente para o carreamento de sedimentos ao Rio da Prata.

“O Rio Verde, a gente sabe que ele tem um problema de falta de mata ciliar, processos erosivos, processos de assoreamento, mau uso de solo, em praticamente todo o seu trecho. Isso vem impactando o Prata diretamente. Então a gente fica preocupado porque pode chegar a um ponto que se torne irreversível a situação no Prata”, alertou Sérgio Barreto.

As imagens divulgadas pelo Instituto Homem Pantaneiro mostram a água barrenta do Rio Verde invadindo o Rio da Prata, alterando a transparência característica do local. Mais adiante, já no encontro com o Rio Miranda, a água segue completamente turva, indicando a dimensão do impacto ambiental.

O assoreamento reduz a profundidade dos rios, compromete a qualidade da água e ameaça diretamente espécies aquáticas e todo o equilíbrio ecológico da região pantaneira. Além disso, a situação pode afetar atividades econômicas ligadas ao ecoturismo, setor fortemente dependente das águas cristalinas da região de Jardim e Bonito.

O biólogo destacou ainda que órgãos ambientais e instituições públicas já participaram de discussões sobre o problema, mas os resultados práticos ainda são considerados lentos diante da gravidade da situação.

“A gente já teve ações com a Polícia Militar Ambiental, o Ministério Público, o Imasul. Mas infelizmente a gente está avançando muito devagar e, a cada vez que a gente vem, a situação está mais grave. Então a preocupação é esse avanço que realmente pode gerar um dano irreversível”, afirmou.

Da Redação

Foto: Divulgação/IHP




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