O Corredor Bioceânico de Capricórnio poderá reduzir em até 17 dias o tempo de transporte de cargas entre a América do Sul e os mercados asiáticos. A estimativa consta em relatório apresentado pela Receita Federal, em Campo Grande.
A rota pretende ligar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando uma alternativa de acesso aos portos do Oceano Pacífico. A expectativa é diminuir custos, ampliar a competitividade das exportações e atrair novos investimentos ao longo do trajeto.
O documento foi elaborado após uma expedição técnica de 11 dias, que analisou estradas, estruturas de fronteira, operações aduaneiras e a integração logística entre os países envolvidos.
Portos chilenos terão papel estratégico
A equipe visitou pontos considerados essenciais para o funcionamento do corredor, entre eles os portos de Iquique e Antofagasta, no Chile.
Esses terminais deverão servir como saída para produtos sul-americanos em direção aos mercados asiáticos, encurtando distâncias em comparação com rotas tradicionais pelo Oceano Atlântico.
Durante a apresentação, o superintendente-adjunto da 1ª Região Fiscal, Erivelto Alencar, destacou que a redução do tempo de viagem dependerá de mudanças nos processos de controle.
“A rota reduzirá o tempo logístico à Ásia em até 17 dias, mas seu sucesso depende de ação imediata: digitalização de fluxos, inteligência de risco e replicação do modelo ACI”, destacou o relatório.
Receita cobra modernização das fronteiras
Entre as recomendações estão a digitalização dos procedimentos aduaneiros, o uso ampliado de sistemas de inteligência e a adoção de modelos integrados de fiscalização.
A proposta é acelerar a liberação de cargas sem comprometer a segurança e o controle nas fronteiras.
O relatório também aponta a necessidade de investimentos contínuos na infraestrutura viária, considerada decisiva para garantir regularidade e competitividade ao corredor.
Cidades terão de se preparar para novo fluxo
Outro ponto abordado foi o impacto urbano nos municípios localizados ao longo da rota.
Com o aumento previsto da circulação de caminhões, trabalhadores e turistas, as cidades deverão planejar melhorias em mobilidade, serviços públicos, segurança e estrutura de apoio.
A avaliação é de que os benefícios econômicos poderão alcançar transportadoras, comércio, hotéis, restaurantes, produtores rurais e empresas de diferentes setores.
Integração entre países será determinante
A Receita Federal reforçou que o funcionamento do corredor dependerá de uma atuação coordenada entre órgãos de fiscalização, segurança e infraestrutura de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
O objetivo é combinar agilidade logística, controle aduaneiro e facilitação do comércio internacional.
A apresentação contou com representantes da Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal, Governo de Mato Grosso do Sul, Prefeitura de Campo Grande, Banco Interamericano de Desenvolvimento e outros órgãos envolvidos no projeto.
Da Redação
Foto: Assessoria