20 de Ago, 2026
Do solo recuperado à fazenda conectada, agro de MS mira nova etapa
20 de Ago, 2026

Para quem produz no campo, a modernização não se mede apenas pela chegada de uma nova máquina ou pela quantidade de dados disponíveis. Ela ganha sentido quando a tecnologia alcança a propriedade, a terra degradada volta a produzir, a irrigação amplia possibilidades e o pequeno produtor encontra assistência, financiamento e caminhos para agregar valor ao que colhe ou cria.

É nessa combinação entre produtividade, sustentabilidade e inclusão que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, organizou sua proposta para uma nova etapa do agronegócio sul-mato-grossense.

O Plano de Governo 2027–2030 reúne esse conjunto de medidas sob a ideia de Agro 5.0. A estratégia articula agricultura de precisão, automação, inteligência de dados, conectividade rural, bioinsumos, rastreabilidade, sistemas integrados e economia circular. Ao mesmo tempo, abre espaço para uma agenda voltada à agricultura familiar, com a reestruturação da assistência técnica pública, maior acesso a financiamento e apoio à agroindustrialização de associações e cooperativas.

Um dos principais motores do desenvolvimento de Mato Grosso do Sul, o agro é abordado no Plano de Governo não apenas como produção primária, mas também ligado à expansão da agroindústria, à geração de renda, à abertura de mercados e à incorporação de práticas capazes de combinar eficiência produtiva e menor impacto ambiental.

Uma transformação construída ao longo dos anos

O principal número usado pelo plano para dimensionar essa mudança está na recuperação de pastagens. Entre 2010 e 2024, a área considerada degradada caiu de 6,2 milhões para 2,9 milhões de hectares, uma redução de 52%. No mesmo período, 3,3 milhões de hectares foram recuperados — área que o documento compara a quatro vezes o território de Campo Grande.

O resultado serve de base para a prioridade definida por Riedel para os próximos anos: ampliar a conversão de áreas degradadas em terras produtivas, com programas específicos para regiões de solos arenosos.

Essa recuperação pode ser associada ao fortalecimento da economia e da renda, além de benefícios ambientais, como a redução do desmatamento e das emissões de carbono pelo setor agropecuário. Na mesma direção está a expansão da agroindustrialização, o programa MS Irriga, a consolidação de cadeias produtivas estratégicas e políticas de inovação no campo.

Esse movimento ocorre dentro de uma economia em que a industrialização ligada ao agro ganhou peso. Desde 2023 o Mato Grosso do Sul atraiu mais de R$ 81 bilhões em investimentos privados, impulsionados por setores como celulose, bioetanol, proteína animal e logística. Para o campo, essa transformação amplia a importância de produzir, processar e agregar valor dentro do próprio Estado, em vez de limitar a atividade à venda de matéria-prima.

Tecnologia que precisa chegar à propriedade

Na visão apresentada por Riedel, a próxima etapa deverá ampliar a presença de tecnologias digitais nas propriedades rurais. O plano prevê incentivo à agricultura de precisão, automação, inteligência de dados e conectividade, além de pesquisa aplicada voltada ao aumento da produtividade. “A intenção é modernizar o processo produtivo e preparar as cadeias do Estado para mercados cada vez mais competitivos”, explica o governador.

A expressão Agro 5.0, nesse desenho, funciona como um ponto de encontro entre diferentes políticas. Ela inclui a modernização tecnológica das propriedades, o uso eficiente de insumos, a integração de atividades e a adoção de bioinsumos e princípios de economia circular. Também envolve irrigação e intensificação sustentável, com ações de modernização e mecanismos de licenciamento associados à atividade.

A rastreabilidade da bovinocultura é outra peça dessa estratégia. O governo pretende implantar um sistema voltado a ampliar a competitividade das cadeias produtivas. Ao lado dele, o plano prevê ações para abrir e diversificar mercados, estimular novos produtos, transformar coprodutos e resíduos e atrair agroindústrias para cadeias emergentes.

Para financiar parte desse avanço, Riedel propõe implementar o primeiro Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais do Estado, o Fiagro do MS, ou um modelo semelhante de financiamento da atividade agropecuária.

O pequeno produtor dentro da nova economia rural

A modernização proposta não se restringe às cadeias de maior escala. Um dos pontos centrais do plano é a reestruturação do serviço público de assistência técnica rural, com prioridade para o desenvolvimento dos agricultores familiares e para a ampliação da capacidade desse segmento de captar financiamento.

A assistência técnica aparece como ligação entre a política pública e a realidade da propriedade. O plano propõe reorganizar esse serviço para que a agricultura familiar participe da transformação tecnológica e produtiva prevista para o Estado. A direção indicada é fazer com que crédito, conhecimento e inovação também alcancem quem produz em menor escala.

Outra frente prevê ampliar programas de investimento em agroindustrialização para associações e cooperativas da agricultura familiar. Na prática pretendida pelo plano, o pequeno produtor deixa de ser visto apenas como fornecedor de produtos primários e passa a ser incluído em estruturas capazes de processar, transformar e agregar valor à produção.

Essa é uma das pontes entre inclusão e competitividade no projeto de Riedel. Ao fortalecer associações, cooperativas e a captação de financiamento, a proposta procura inserir a agricultura familiar nas cadeias que crescem ao redor da agroindústria.

Produzir mais sem abandonar a recuperação do solo

A ampliação da produção aparece vinculada à continuidade da recuperação de terras. O plano pretende converter novas áreas degradadas, sobretudo em regiões de solos arenosos, e estimular sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis. Irrigação, integração de atividades, bioinsumos e economia circular são apresentados como partes de uma mesma agenda.

A conversão de áreas degradadas reúne objetivos produtivos e ambientais. A estratégia procura ampliar o aproveitamento de terras já abertas, aumentar a eficiência no uso de insumos e consolidar sistemas integrados, enquanto associa a recuperação do solo à redução do desmatamento e das emissões do setor agropecuário.

Para o próximo mandato, Riedel propõe consolidar Mato Grosso do Sul como referência em produção sustentável e competitiva. O caminho descrito passa pela modernização das propriedades, pela conversão de áreas degradadas, pela expansão da irrigação, pelo fortalecimento da pesquisa e pela abertura de mercados. Passa também por uma decisão política: fazer com que assistência técnica, financiamento e agroindustrialização cheguem aos agricultores familiares.

Para quem vive da renda rural, o Agro 5.0 só terá significado concreto quando a inovação ultrapassar os grandes projetos e chegar à porteira, ao solo que precisa ser recuperado e à pequena produção que busca espaço no mercado. A proposta de Riedel coloca essa aproximação no centro da próxima etapa. O desafio será transformar a direção traçada no plano em políticas com escala suficiente para que tecnologia, sustentabilidade e oportunidade avancem juntas pelo campo sul-mato-grossense.

Fotos: Saul Schramm

 



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