Mato Grosso do Sul deve enfrentar um trimestre marcado por temperaturas persistentemente elevadas, risco de ondas de calor precoces e alerta severo para incêndios florestais entre os meses de setembro e novembro de 2026. A previsão sazonal foi divulgada pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima, o Cemtec, vinculado à Semadesc, com base em dados de modelos climáticos globais do serviço europeu Copernicus e da NOAA.
Apesar de a tendência apontar acumulados de chuva ligeiramente acima da média histórica para o período, que varia entre 300 mm e 400 mm na maior parte do estado, alcançando até 500 mm no Sul, a transição entre a estação seca e a chuvosa será marcada pela irregularidade na distribuição das pancadas. A combinação de chuvas mal distribuídas com alta evaporação e temperaturas que devem superar o padrão histórico de 22 °C a 26 °C acende o sinal de alerta para a gestão de riscos.
O principal motor do cenário meteorológico é a permanência do fenômeno El Niño com 100% de probabilidade de atuação no segundo semestre. As projeções do Centro de Previsão Climática indicam uma chance de 70% a 90% de o fenômeno atingir a categoria Muito Forte. Segundo os técnicos do Cemtec, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico altera a circulação atmosférica regional, o que favorece o surgimento de períodos prolongados de calor intenso e seca do ar antes mesmo do início do verão.
O relatório técnico cruza os dados do Cemtec com o mapa de perigo de fogo elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden. A maior parte do território sul-mato-grossense já se encontra sob níveis de Atenção e Alerta. A situação mais crítica afeta os municípios do Pantanal e das regiões Norte e Nordeste, classificados sob o nível de Alerta Alto. Essa condição indica probabilidade elevadíssima de focos de queimada com propagação rápida, exigindo a mobilização imediata de equipes de brigadistas, ações coordenadas de contenção e campanhas preventivas de conscientização.
A persistência do calor aliada à baixa umidade relativa do ar traz consequências diretas para a população. A possível concentração de fumaça e material particulado na atmosfera tende a deteriorar a qualidade do ar, aumentando o risco de complicações respiratórias, sobretudo em crianças e idosos.
Além dos danos ambientais e à saúde, as ondas de calor representam um risco transversal para a economia do estado. No agronegócio, há possibilidade de aumento do estresse térmico em lavouras e plantéis, somado à instabilidade no ritmo das chuvas de início de safra. Nos setores hídrico e energético, projeta-se a elevação do consumo de água e energia elétrica, pressionando mananciais, reservatórios e a infraestrutura de distribuição.
O Cemtec enfatiza que o monitoramento contínuo dos indicadores ambientais será mantido ao longo do trimestre para subsidiar tomadas de decisão rápidas e mitigar eventuais impactos de eventos climáticos extremos.