20 de Mai, 2026
Estudo detecta medicamentos, pesticidas e cafeína em rios ligados ao Pantanal
20 de Mai, 2026

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em parceria com a Universidad de Córdoba, da Colômbia, identificou a presença de contaminantes emergentes em rios que abastecem áreas ligadas ao Pantanal, incluindo regiões de transição entre os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal.

A pesquisa, intitulada “Avaliação de contaminantes emergentes no Pantanal mato-grossense: estudo de campo”, foi conduzida pelo pesquisador Eduardo Miguel, sob orientação do professor Wilkinson Lopes Lázaro, no Centro de Estudos em Limnologia, Biodiversidade e Etnobiologia do Pantanal.

Os resultados foram divulgados nas redes sociais pelo projeto Documenta Pantanal, iniciativa voltada à valorização e conservação do bioma pantaneiro.

De acordo com o estudo, foram detectados 14 tipos de contaminantes emergentes em rios de áreas remotas do Pantanal. Entre as substâncias encontradas estão resíduos de medicamentos, herbicidas, pesticidas, hormônios sintéticos, fármacos de uso veterinário e até cafeína.

Os pesquisadores alertam que esses contaminantes são substâncias químicas que os sistemas convencionais de tratamento de água não conseguem remover totalmente. Mesmo em baixas concentrações, os resíduos podem causar impactos à saúde humana e ao equilíbrio ambiental.

Segundo o material divulgado pelo Documenta Pantanal, a presença dessas substâncias pode alterar o comportamento e a reprodução de espécies aquáticas, além de comprometer a qualidade da água utilizada por comunidades locais.

O estudo teve como foco áreas próximas aos municípios de Cáceres e Poconé, no Mato Grosso, mas os pesquisadores destacam que a contaminação em rios que abastecem o Pantanal representa um alerta regional, incluindo o bioma em Mato Grosso do Sul, onde o Pantanal ocupa uma das áreas ambientais mais importantes do país.

Além de identificar os contaminantes, os pesquisadores também estudam alternativas para reduzir os impactos ambientais. Entre as soluções analisadas estão os chamados “wetlands construídos”, sistemas naturais de tratamento que utilizam plantas aquáticas para ajudar na filtragem da água, com menor custo e consumo energético.

O Documenta Pantanal destacou que a pesquisa reforça a importância da ciência na preservação do bioma. “A ciência é uma grande aliada na conservação do Pantanal, dando suporte para a melhoria de políticas públicas”, publicou o projeto em suas redes sociais.

O Pantanal é considerado uma das maiores planícies alagáveis do mundo e abriga uma das maiores biodiversidades do planeta. Especialistas alertam que o avanço da poluição química, associado às mudanças climáticas, queimadas e pressão sobre os recursos hídricos, amplia os riscos ambientais na região.

Da Redação

Foto: Arquivo MS De Norte a Sul

 



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