13 de Ago, 2026
Fraude na saúde teria desviado mais de R$ 4 milhões em Nioaque, aponta MP
13 de Ago, 2026

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou nesta quinta-feira (13) a segunda fase da Operação Auditus, que investiga um suposto esquema de fraudes em contratos de serviços médicos da Prefeitura de Nioaque.

A ação cumpre cinco mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna.

Segundo o MPMS, a investigação aponta direcionamento de contratações, pagamento por consultas e exames que não teriam sido realizados e desvio de recursos públicos mediante pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

O prejuízo estimado aos cofres de Nioaque ultrapassa R$ 4 milhões.

MP aponta que 83% dos serviços pagos foram simulados

Conforme a investigação, 83% dos exames e consultas pagos pelo município no período analisado teriam sido simulados pelo grupo investigado por meio da falsificação de documentos.

O Ministério Público também afirma que os gastos com os serviços médicos investigados aumentaram 1.713% entre 2022 e 2025, período em que teriam ocorrido as contratações fraudulentas.

A apuração envolve agentes públicos e particulares.

De acordo com o MPMS, o esquema teria começado com a simulação de exames auditivos e depois se expandido para outros tipos de consultas, exames e procedimentos médicos.

Foi justamente a suspeita envolvendo exames de audição que deu origem ao nome da operação. “Auditus”, em latim, significa “audição”.

Primeira fase começou com suspeita em exames que não teriam sido realizados

A Operação Auditus foi deflagrada pela primeira vez em 1º de julho de 2025, quando o MPMS cumpriu dez mandados de busca e apreensão em Nioaque, Bonito e Jardim.

Naquela etapa, a investigação já apontava possíveis fraudes em licitações para contratação de empresa responsável por consultas, exames e procedimentos médicos, além de irregularidades na execução dos contratos.

À época, o Ministério Público estimava um dano potencial superior a R$ 3 milhões entre 2019 e 2024.

Entre os casos investigados estavam cobranças por exames que, segundo a apuração, não teriam sido realizados. O MPMS citou especificamente exames de triagem auditiva neonatal, conhecidos como teste da orelhinha.

O material recolhido naquela fase passou a ser analisado pelos investigadores e serviu de base para o aprofundamento das apurações.

Nova fase amplia suspeitas e valor do prejuízo

Depois da análise dos documentos, equipamentos e outros materiais apreendidos em 2025, além de novas diligências, o MPMS afirma ter reunido elementos que indicam a existência de um esquema mais amplo e estruturado.

Segundo a investigação, o grupo teria atuado no direcionamento das contratações, falsificação de documentos, simulação de atendimentos e pagamento de vantagens indevidas.

O valor inicialmente estimado em mais de R$ 3 milhões passou agora para prejuízo superior a R$ 4 milhões.

Também houve mudança no período central das contratações sob suspeita. Na segunda fase, o Ministério Público destaca principalmente os anos de 2022 a 2025, quando aponta crescimento de 1.713% nos gastos com os serviços médicos investigados.

MP apura expansão para outras cidades

Outro ponto da nova fase é a suspeita de que integrantes do grupo tenham tentado levar o esquema para outros municípios de Mato Grosso do Sul.

As buscas desta quinta-feira em Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna fazem parte dessa linha de investigação.

A apuração é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), em apoio à 1ª Promotoria de Justiça de Nioaque, com participação do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Os investigados ainda não foram julgados, e as suspeitas levantadas pelo Ministério Público deverão ser analisadas no decorrer das investigações e de eventual processo judicial.

Da Redação

Foto: Assessoria




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