A Justiça de Mato Grosso do Sul solicitou providências para incluir o ex-deputado estadual Neno Razuk na lista de procurados da Organização Internacional de Polícia Criminal, a Interpol.
O pedido foi publicado nesta terça-feira no Diário Oficial da Justiça. A medida ocorre porque há indicativos de que o ex-parlamentar possa estar fora do país.
“Havendo indicativos de que supostamente se encontra fora do país, oficie-se ao superintendente regional da Polícia Federal no Estado de Mato Grosso do Sul para que adote as providências necessárias junto à Interpol visando à inclusão do mandado de prisão preventiva expedido em desfavor de Roberto Razuk Filho na Difusão Vermelha”, diz o pedido.
Neno Razuk é considerado procurado desde o início do mês. A prisão preventiva foi autorizada depois que ele perdeu o mandato de deputado estadual e deixou de ter foro privilegiado.
Operação mirou grupo ligado ao jogo do bicho
No ano passado, a quarta fase da Operação Sucessione, conduzida pelo Gaeco, prendeu 20 pessoas. Entre os alvos estavam o ex-deputado Roberto Razuk e os filhos Rafael e Jorge Razuk.
Segundo a denúncia, os investigados são apontados por suposta ligação com crimes como organização criminosa, roubos, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar.
O Gaeco afirma que “a organização criminosa” é liderada pelo deputado Neno Razuk, cuja família é conhecida há décadas pela exploração ilegal do jogo do bicho e com expertise nas negociatas relacionadas ao ilícito, tem praticado crimes de toda ordem, entre os quais assaltos a mão armada e lavagem de dinheiro, objetivando ocupar o vácuo deixado com o desmantelamento da organização liderada por Jamil Name Filho.
Denúncia cita assaltos contra arrecadadores
Na denúncia, o Gaeco aponta que o grupo comandado por “NENO RAZUK” teria realizado ao menos três assaltos contra os chamados “recolhes”, motociclistas responsáveis pela arrecadação diária de valores ligados ao jogo do bicho.
Conforme a acusação, os crimes ocorreram em 16 de outubro de 2023, durante o dia, com uso de armas de fogo, mais de um veículo e participação de vários agentes. Para o Ministério Público, as circunstâncias indicariam atuação de uma estrutura criminosa organizada.
O MPE sustenta ainda que os crimes e contravenções atribuídos a integrantes da família não seriam fatos isolados. Segundo a denúncia, o envolvimento dos investigados com esse tipo de prática seria de conhecimento público, especialmente a partir da figura do patriarca Roberto Razuk, citado como conhecido há décadas pela exploração ilegal do jogo do bicho em Dourados.
O documento menciona a cidade “onde se encontra a base eleitoral de Roberto Razuk Filho, atualmente Deputado Estadual,e da genitora Délia Razuk, ex-prefeita de Dourados, com expertise nas negociações ilícitas e crimes correlatos”.
Da Redação
Foto: Assessoria