Mato Grosso do Sul ampliou as ações voltadas à saúde materno-infantil com foco no acompanhamento pré-natal, atendimento de gestações de risco, organização do acesso às maternidades, vacinação e expansão do teste do pezinho.
Uma das metas estabelecidas para 2026 é garantir que pelo menos 80% das gestantes realizem seis ou mais consultas de pré-natal, com início do acompanhamento até a 12ª semana de gravidez. A estratégia inclui busca ativa de mulheres que ainda não começaram o pré-natal e revisão dos fluxos de atendimento.
O acompanhamento precoce permite identificar situações como hipertensão, diabetes, infecções e alterações no desenvolvimento do bebê, além de possibilitar o encaminhamento da gestante para serviços especializados quando necessário.
Gestantes de risco recebem acompanhamento especializado
A gestante Vivilaine Quadros teve a gravidez classificada como de risco após apresentar pressão arterial alterada durante o acompanhamento.
Ela iniciou o pré-natal em uma unidade de saúde de Campo Grande e, após avaliação, foi encaminhada para atendimento especializado.
“Foi uma decisão muito importante para que eu tivesse um acompanhamento mais específico. Isso trouxe mais segurança para mim e para o bebê”, relata.
Vivilaine também precisou procurar o Hospital Universitário após apresentar sintomas de infecção urinária. Segundo ela, o diagnóstico foi confirmado e o tratamento iniciado.
“Fui muito bem assistida. O atendimento e o acolhimento são muito bons, principalmente por parte das enfermeiras. A médica residente também me tratou de forma muito tranquila”, conta.
Rede Alyne organiza caminho até a maternidade
Outra frente é a implantação da Rede Alyne, política voltada à assistência de gestantes, puérperas e recém-nascidos.
A estrutura envolve planejamento reprodutivo, pré-natal, transporte, definição das maternidades de referência, parto, puerpério e acompanhamento do bebê.
A proposta é evitar que gestantes sejam encaminhadas de forma improvisada entre diferentes unidades, especialmente em municípios que não possuem estrutura para partos de maior risco.
Vivilaine, por exemplo, conheceu antecipadamente a maternidade do Hospital Universitário onde pretende ter o bebê.
“A enfermeira mostrou tudo, explicou como funciona e tirou todas as minhas dúvidas. Eu me senti acolhida durante toda a visita”, relata.
Crianças são acompanhadas após o nascimento
O trabalho também envolve agentes comunitários de saúde, que acompanham famílias desde a gestação até as etapas de vacinação e desenvolvimento infantil.
A agente comunitária Vanessa Wanderleia Gabriel, que atua em Maracaju, afirma que a busca ativa é utilizada quando crianças deixam de comparecer às unidades para receber vacinas.
“Identificamos primeiro a gestante e, a partir desse cuidado, seguimos com a atenção e o monitoramento das crianças desde o nascimento”, explica.
Segundo ela, as equipes utilizam registros das salas de vacinação para localizar famílias quando há atraso nas doses.
“O objetivo é não deixar atrasar as doses, para que as crianças estejam sempre em dia com a vacinação e tenham a saúde assegurada”, afirma Vanessa.
Teste do pezinho passa a rastrear mais de 40 doenças
Desde janeiro de 2026, o SUS em Mato Grosso do Sul passou a oferecer o teste do pezinho ampliado.
O exame, realizado a partir de gotas de sangue coletadas do recém-nascido, agora rastreia mais de 40 doenças congênitas, genéticas e metabólicas. Antes, o programa estadual identificava sete grupos de patologias.
A coleta continua recomendada entre o terceiro e o quinto dia de vida.
O teste funciona como triagem e não como diagnóstico definitivo. Quando é identificada alguma alteração, o bebê precisa realizar exames complementares e, se necessário, iniciar tratamento especializado.
A ampliação busca antecipar diagnósticos de doenças que podem não apresentar sintomas nos primeiros dias de vida, mas provocar complicações graves quando não tratadas precocemente.
Alimentação e amamentação também entram no acompanhamento
Outro indicador citado no material é o aleitamento materno.
Mato Grosso do Sul registrou 63% de aleitamento materno exclusivo entre crianças com menos de seis meses e 60% de aleitamento continuado entre seis meses e dois anos.
A política inclui orientação durante o pré-natal, acompanhamento depois do parto, atendimento nas unidades básicas e acesso aos bancos de leite.
Desafio é evitar falhas entre uma etapa e outra
A estratégia estadual procura integrar diferentes momentos do cuidado, desde o pré-natal até os primeiros anos de vida da criança.
O desafio é garantir que gestantes e bebês não percam o acompanhamento entre a unidade básica, o serviço especializado, a maternidade e o retorno para consultas, vacinação e exames.
A redução de mortes maternas e infantis evitáveis também depende de fatores como transporte, distância até os serviços especializados, disponibilidade de leitos e identificação precoce de situações de risco.
Da Redação
Foto: Assessoria