22 de Out, 2026
OAB entra no caso de diretor preso após tiros em Jardim e aponta gravidade das lesões da vítima
21 de Out, 2026

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) pediu para ingressar formalmente no processo envolvendo Alex Sandro Regmunt, de 48 anos, preso após um advogado ser baleado durante o cumprimento de uma ordem judicial em Jardim.

A entidade quer atuar como assistente no caso por entender que o ataque ocorreu diretamente relacionado ao exercício profissional da vítima, que representava uma instituição financeira durante a busca e apreensão de um veículo. O pedido foi apresentado à 1ª Vara de Jardim no dia 14 de outubro.     

O documento também revela novos detalhes sobre a gravidade dos ferimentos. Conforme prontuário médico citado pela OAB, o advogado apresentou dois orifícios de entrada na região da coluna torácica, déficit motor bilateral e ausência de movimentação dos membros inferiores. Um dos projéteis teria ficado alojado na região da coluna, próximo à medula. Após atendimento em Jardim, ele foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande.     

Segundo a narrativa apresentada pela entidade com base nos autos, a vítima conduzia uma Fiat Strada apreendida judicialmente em direção ao Fórum quando o veículo teria sido interceptado pela caminhonete dirigida por Alex. A OAB afirma que pelo menos quatro disparos foram efetuados e que dois atingiram o advogado pelas costas. Cinco estojos de calibre .380 foram recolhidos na via.     

Ainda de acordo com a petição, mesmo ferido, o advogado conseguiu seguir até as proximidades do Fórum. A oficial de Justiça que acompanhava a diligência relatou que Alex teria retornado e seguido atrás da vítima, antes da chegada da Polícia Militar.     

OAB pede manutenção da prisão

Além de solicitar ingresso no processo, a OAB/MS se manifestou pela manutenção da prisão preventiva de Alex.

A entidade cita como fundamentos a forma como o ataque teria ocorrido, a quantidade e os tipos de armas encontradas e o possível risco à vítima e às testemunhas. Alex permanece preso no Estabelecimento Penal Máximo Romero, em Jardim.     

Na mesma manifestação, a Ordem afirma que condições pessoais como residência fixa, ocupação e ausência de antecedentes não seriam suficientes, na avaliação da entidade, para afastar a prisão cautelar.     

A posição da OAB ocorre enquanto a defesa de Alex tenta reverter a prisão por meio de habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Entidade pede novas perícias e análise do celular

A OAB também solicitou uma série de diligências para aprofundar a investigação.

Entre elas estão a conclusão da perícia no local e na Fiat Strada, análise da trajetória dos disparos e confronto balístico entre a pistola calibre .380 apreendida, os estojos encontrados na rua e eventuais projéteis retirados da vítima ou localizados no veículo.     

A entidade pediu ainda a preservação e análise de imagens de câmeras do Fórum, do hospital e de estabelecimentos próximos, além da extração dos dados do celular de Alex, caso autorizada judicialmente.

Segundo a OAB, a análise do aparelho poderia ajudar a esclarecer como e quando ele tomou conhecimento da apreensão do veículo e do trajeto que seria realizado, informação considerada relevante para verificar eventual premeditação.     

Também foi solicitado que Exército e Polícia Federal sejam comunicados para avaliar providências relacionadas ao registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) de Alex e verificar a existência de outras armas registradas em seu nome. 

Caso começou durante apreensão de veículo

O caso ocorreu em 8 de outubro, quando uma oficial de Justiça cumpria mandado de busca e apreensão de uma Fiat Strada registrada em nome da companheira de Alex.

Segundo os autos, a diligência ocorreu inicialmente sem resistência. O advogado que acompanhava a ação passou a dirigir o veículo apreendido em direção ao Fórum e teria sido atacado durante o trajeto.     

Alex foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva. O caso é investigado como tentativa de homicídio qualificado e por crime relacionado ao porte de arma de fogo. A responsabilidade criminal ainda será definida no curso do processo.

Da Redação

Foto: Assessoria




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