O deputado estadual Pedro Kemp (PT) afirmou que acompanha denúncias de possíveis ameaças e ataques contra comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul após o segundo turno das eleições. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar disse ter recebido imagens e mensagens relatando episódios de violência e até possíveis ameaças de contaminação da água utilizada por indígenas.
Apesar dos relatos, Kemp ressaltou que, até o momento de sua manifestação, não havia confirmação de que episódios de violência contra lideranças ou comunidades estivessem relacionados diretamente ao resultado eleitoral.
“Eu tenho recebido vídeos, tenho recebido algumas mensagens que dão conta desses possíveis ataques e também de violências cometidas contra as comunidades indígenas, envenenamento das águas e etc. Nós estamos procurando apurar todas essas denúncias”, afirmou.
O parlamentar disse estar em contato com lideranças e caciques de comunidades de Amambai, da Aldeia Limão Verde e de Tacuru para verificar as informações.
“Até o momento nós não temos ainda confirmação de denúncias de violências cometidas contra lideranças e comunidades indígenas em função do processo eleitoral”, declarou.
As denúncias também passaram a ser acompanhadas por órgãos federais. O Ministério dos Povos Indígenas informou que acionou a Polícia Federal e mantém, juntamente com outros ministérios, uma força-tarefa para verificar relatos de ameaças e violência envolvendo povos indígenas após o segundo turno.
Incêndio em casa de rezadora também é acompanhado
Kemp citou ainda um vídeo mostrando a destruição pelo fogo da casa de uma rezadora tradicional em uma comunidade indígena de Tacuru.
O deputado ponderou que há registros anteriores de conflitos relacionados à intolerância religiosa dentro de comunidades e afirmou que, neste momento, não seria possível relacionar automaticamente o episódio à disputa eleitoral.
“Existem casos de intolerância religiosa em várias aldeias, inclusive entre as próprias comunidades indígenas. A gente sabe de queima de casa de reza, ataque às rezadoras. Então isso tem acontecido já há algum tempo e não em função agora do processo eleitoral”, disse.
O incêndio ocorreu na Aldeia Jaguapiré, em Tacuru, e as circunstâncias ainda estão sendo apuradas. Relatos divulgados após o episódio apresentaram versões diferentes sobre a possível origem do fogo, incluindo suspeita de intolerância religiosa e hipótese de acidente, sem conclusão definitiva até o momento.
Kemp afirmou que continuará acompanhando as investigações e as informações encaminhadas pelas comunidades.
“Nós estamos conversando com as lideranças, acompanhando todas as investigações que estão sendo feitas”, afirmou.
A bancada do PT na Assembleia Legislativa também tem relatado denúncias de possíveis retaliações e violência após as eleições e informou que pretende encaminhar casos recebidos aos órgãos competentes para apuração.
Da Redação
Foto: Assessoria