A primavera de 2026 deve ser marcada por temperaturas acima da média, maior probabilidade de chuvas acima do normal e episódios de calor intenso em Mato Grosso do Sul. A
De acordo com o prognóstico, a tendência de precipitação acima da média histórica aparece de forma mais destacada na região Centro-Sul do Estado. A climatologia para o trimestre indica acumulados que variam, na maior parte de Mato Grosso do Sul, entre 400 e 500 milímetros, podendo chegar a 500 a 600 milímetros no Sul e Nordeste e ficar entre 300 e 400 milímetros no Noroeste.
A previsão, entretanto, não significa que a chuva será distribuída de maneira uniforme. Mato Grosso do Sul está em uma área de transição climática, o que provoca grande variabilidade entre regiões e municípios. Assim, mesmo com a tendência de precipitações acima da média no trimestre, poderão ocorrer períodos de estiagem entre os eventos de chuva e distribuição irregular dos acumulados.
Ao mesmo tempo, os modelos indicam temperaturas acima da média histórica em praticamente todo o Estado. A referência climatológica para o período varia entre 22°C e 26°C na maior parte do território sul-mato-grossense, mas a previsão aponta possibilidade de uma primavera mais quente que o normal e de episódios de calor intenso. A passagem de frentes frias ainda poderá provocar períodos pontuais de temperaturas mais amenas.
A combinação entre o forte aquecimento durante o dia e o aumento gradual da umidade favorece a formação de áreas de instabilidade. Segundo o prognóstico, a primavera está entre as estações com maior frequência de tempestades severas em Mato Grosso do Sul. Esses eventos podem ocorrer de forma localizada e evoluir rapidamente, trazendo chuvas intensas em curto período, descargas elétricas, rajadas fortes de vento e, em alguns casos, queda de granizo.
El Niño em intensidade máxima da escala
Outro fator destacado no documento é a atuação do fenômeno El Niño. As projeções dos modelos climáticos globais indicam permanência do fenômeno durante todo o trimestre outubro-novembro-dezembro, com 100% de probabilidade de ocorrência e cerca de 98% de possibilidade de classificação na categoria Muito Forte, considerada a intensidade máxima da escala.
O CEMTEC ressalta, porém, que o El Niño não atua isoladamente. Seus possíveis efeitos em Mato Grosso do Sul dependem da interação com outros sistemas atmosféricos e meteorológicos que atuam em escala regional e local. Por isso, o fenômeno pode contribuir para potencializar determinadas condições favoráveis a eventos meteorológicos intensos, mas não permite, por si só, determinar quando ou onde uma tempestade ocorrerá.
O cenário também exige atenção para o risco de incêndios florestais. A previsão de perigo de fogo para setembro, outubro e novembro indica que grande parte do território sul-mato-grossense estará nos níveis de “Alerta” e “Atenção”. Segundo o documento, o nível de atenção representa risco moderado e demanda preparação para possíveis focos de calor, enquanto o nível de alerta indica risco alto e necessidade de ações coordenadas de prevenção, mobilização de equipes e campanhas de conscientização.
Além dos impactos sobre a população, os eventos de tempo severo podem provocar alagamentos, enxurradas bruscas, destelhamentos, quedas de árvores, interrupções na mobilidade urbana e rodoviária, danos à infraestrutura urbana e rural e prejuízos para atividades econômicas e para o setor agropecuário.
O prognóstico ressalta que uma previsão climática sazonal não consegue indicar antecipadamente os dias e locais exatos em que ocorrerão tempestades. Esse detalhamento depende das previsões meteorológicas de curto prazo, que permitem acompanhar a evolução das condições atmosféricas e identificar situações de maior risco.
Diante da previsão, o CEMTEC recomenda o acompanhamento diário das atualizações meteorológicas e dos avisos emitidos pelos órgãos competentes, especialmente nos períodos mais favoráveis à formação de tempestades. A medida é considerada importante para antecipar situações de risco e auxiliar a população, a Defesa Civil, os órgãos públicos e os setores produtivos na prevenção e resposta a eventos extremos.
Da Redação
Foto: Fabio Pellegrini