A grandiosa transformação do Chaco paraguaio já pode ser vista no coração da Rota Bioceânica. As obras de pavimentação asfáltica na estratégica Picada 500, continuação da PY-15, avançam em ritmo intenso e começam a mudar para sempre uma das regiões mais isoladas da América do Sul, abrindo caminho para desenvolvimento, empregos e integração continental.
Neste fim de semana, entre sexta-feira e sábado, dia 25, a reportagem percorreu cerca de 490 quilômetros desde Porto Murtinho/Carmelo Peralta até Mariscal Estigarribia, no departamento de Boquerón, seguindo pela PY-15. De lá, a equipe entrou na lendária e desafiadora Picada 500 para acompanhar de perto o andamento das obras executadas por quatro consórcios em um trecho de 224 quilômetros até Pozo Hondo, na fronteira com a Argentina, ligação estratégica com Misión La Paz e Santa Victoria Este, na província de Salta.
Mesmo enfrentando fortes chuvas típicas desta época do ano, o cenário encontrado foi de trabalho acelerado e avanço expressivo. Em todos os lotes é possível observar frentes ativas de terraplanagem, drenagem pluvial, estabilização de solo com técnicas de solo-cal e solo-cimento, além da implantação de base granular para receber o pavimento definitivo.
Cada trecho mobiliza aproximadamente 140 trabalhadores, que enfrentam calor extremo e condições climáticas severas para manter a produtividade em uma das regiões mais desafiadoras do continente. O esforço desses profissionais simboliza a determinação de transformar o isolamento em oportunidade.

Em entrevista à reportagem, o gerente de produção de um dos consórcios, Silvio Godoi, explicou que as chuvas momentaneamente reduzem o ritmo operacional, mas a expectativa permanece otimista.
Segundo ele, assim que o clima estabilizar, os serviços seguirão em velocidade máxima e, mantido o atual desempenho, a obra poderá atingir cerca de 80% de execução até o fim do ano no trecho até Pozo Hondo.
O governo do Paraguay investe 354 milhões de dólares, com financiamento do FONPLATA, sob supervisão do Ministerio de Obras Públicas y Comunicações (MOPC), comandado pela ministra Claudia Centurión.
O impacto já ultrapassa o canteiro de obras. À medida que o asfalto avança, cresce também o interesse do setor privado em investir ao longo da rota internacional. A via será a espinha dorsal de um novo corredor logístico que conectará o centro da América do Sul aos portos do norte do Chile, no Oceano Pacífico.
Mais do que uma estrada, a Rota Bioceânica representa uma mudança histórica: o Paraguay está convertendo uma de suas regiões mais inóspitas em um eixo de prosperidade, comércio internacional e futuro.