Mato Grosso do Sul encerrou setembro de 2026 com volumes de chuva acima da média histórica em diversas regiões, enquanto áreas do norte e nordeste enfrentaram precipitações bem abaixo do esperado. Em Campo Grande, um dos pontos de medição registrou 220,4 milímetros no mês, volume equivalente a 184% acima da média esperada para setembro.
Os dados fazem parte do Boletim Mensal da Análise das Condições Meteorológicas em Mato Grosso do Sul, elaborado pela equipe técnica do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), ligado à Semadesc.
A análise mostra que as regiões central, sul, leste, sudeste e sudoeste tiveram chuvas acima da média climatológica. Nessas áreas, os maiores acumulados ficaram entre 120 e 240 milímetros. Em sentido oposto, as regiões norte, pantaneira e leste/nordeste tiveram volumes entre zero e 80 milímetros, próximos ou ligeiramente abaixo da média.
Entre as localidades monitoradas, Anaurilândia apresentou um dos maiores acumulados do Estado, com 223,6 milímetros. Campo Grande aparece logo depois, com 220 milímetros, seguida por Itaporã, com 200 milímetros; Dourados, com 194,6 milímetros; Nova Alvorada do Sul, com 190,6 milímetros; e Ivinhema, com 190,2 milímetros. No outro extremo, Alcinópolis registrou apenas 19,4 milímetros. Os maiores déficits ficaram concentrados principalmente no norte e nordeste, atingindo localidades como Alcinópolis, Costa Rica, Figueirão e Pedro Gomes.
O contraste fica evidente no mapa apresentado pelo Cemtec. Enquanto áreas das regiões central, sul e sudeste ultrapassaram pontualmente os 200 milímetros e chegaram perto dos 240 milímetros, no norte e nordeste os acumulados ficaram predominantemente abaixo de 40 milímetros, com algumas áreas registrando menos de 20 milímetros.
Campo Grande teve um setembro particularmente chuvoso. Considerando a série histórica de 1981 a 2010 da estação meteorológica do Inmet instalada na Embrapa Gado de Corte, a precipitação acumulada ficou 96% acima da média histórica. Em outro ponto de monitoramento, o pluviômetro automático do Cemaden registrou 220,4 milímetros, resultado 184% acima da média esperada para setembro.

Apesar do excesso de chuva, as temperaturas médias na Capital permaneceram relativamente próximas da normal climatológica. A temperatura mínima média ficou 1,2°C acima da média, enquanto a máxima média ficou 0,3°C abaixo do padrão histórico para o período.
O cenário para os próximos meses, porém, chama atenção. As projeções apresentadas pelo Cemtec para outubro, novembro e dezembro indicam tendência de precipitações acima da média climatológica em Mato Grosso do Sul, com acumulados de referência entre 300 e 500 milímetros, dependendo da região.
Para as temperaturas, a sinalização também é de valores acima da média histórica. A referência climatológica para o trimestre varia entre 22°C e 26°C, e a previsão aponta para um período predominantemente mais aquecido no Estado.
O boletim ainda aponta a possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS). Para o trimestre outubro, novembro e dezembro, a projeção apresentada no documento indica intensidade classificada como “Muito Forte”, com manutenção dessa condição no início do verão.
Entre os possíveis impactos apontados estão temperaturas acima da média histórica, ondas de calor mais frequentes e tempestades mais intensas, com possibilidade de ventos fortes, raios e até granizo. O Cemtec ressalta, entretanto, que o ENOS atua de maneira indireta e interage com outros sistemas atmosféricos, o que influencia as condições efetivamente observadas em Mato Grosso do Sul.
Foto: Fabio Pellegrini